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De volta a mim

Também tenho saudades tuas...

Mas sinto mais falta de mim.

Aquela figura enigmática por quem me apaixonei
quando olhava ao espelho todos os dias.

Hoje, apenas me pareço com as pedras da calçada —
iguais e desalinhadas —
apenas esperando algum percalço da vida.

Alguém que possa andar apenas distraído por aí,
distraído nas suas muitas fases de vida,
que esteja adormecido para a minha verdadeira intensidade.

Cabeça além das nuvens,
que tome conta de apenas detalhes —
algo que se note não apenas pela superfície.

Onde me encontraria, afinal?
Pois, para tudo aquilo que sou,
apenas um nome não chega para me descrever.

E se, por enquanto, me perdesse dentro de mim mesma,
adorando a minha única presença,
sendo puramente os meus limites?

Se olhasse para mim até poder tirar o fôlego,
se entregasse a um espírito consolador de desapego,
onde a alma precisa se tocar
para sentir-se, outra vez, viva...

Porque foi sem esse toque que me perdi,
que me encantei
e perdi-me ao ponto de viver outras vidas
e esquecer da minha própria identidade.

Então, preciso me afastar.
Isolar das energias que me sugam,
que me queiram invalidar.

Tentei.
Mas já nada disso faz sentido,
pois projeto mais além —
onde meu bem-estar precisa estar.

Quero ser livre.
Feliz.
Sonhar comigo mesma.

Dançar até me esquecer do que apaguei
e despertar para uma nova dentro de mim, outra vez.

Foi porque parei no tempo.
Tu amaste aquilo que viste ali...
Mas hoje, até eu preciso dela.

Necessito de mais alguém como ela.
Pois ela me nutre,
me orienta.
Ela é água viva —
que precisa respirar por entre mim.

Me envolver não somente com palavras,
mas com leve aroma,
exalando sua presença por entre horas.

Preciso do seu cheiro em mim.
Nas minhas roupas,
na minha pele.

Preciso de ti — em mim.

E, por mais que não andemos juntas por agora,
saberei que estou a tentar.
Tentarei florescer,
crescer por entre as muitas pedras da calçada.

Com o calor quente que faria borbulhar por entre ti,
que chega ainda mais rápido que os teus passos doces,
mas que me lembram daquilo que um dia fui.

Gostaria de dançar sozinha?
Suportaria o peso desta ambição?
Para onde carregarei minhas frustrações?

Ficarei arrependida...
Mas, no fim, preciso tentar.

Tentar ser bem mais do que aquilo que sou hoje.

Preciso encontrar as respostas dentro de mim —
respostas às quais todo o meu futuro anseia,
impacientemente faminto pelo prazer de estar vivo até hoje...
mas inerte, tentando se manter à superfície.

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