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Incessante Loucura

Cansada de muito tentar. De tentar, de tentar, de tentar...
E, no fim, entender que preciso adormecer os pensamentos a ponto da demência — para ao menos tentar salvar alguma sanidade.

E não é porque deixei de tentar que já não o sinta:
o calor das minhas veias ainda pulsa pelo que é correto.
Naquele lugar onde a mente se retira, porque nada mais disfarça,
é um sorriso que desarma qualquer procedimento.

Porque tratar... às vezes soa errado.
Como insistir numa via sem saída,
à espera de milagrosamente encontrar o outro lado.

Sou o além.
Vejo de olhos fechados — mas bem abertos para o coração —
que, por momentos, se reencontra sozinho.
Sem palavras soltas.
Apenas em silêncio...
Silêncio que fixa a dor de um sabor inconstante.

Sou eu.
Amante errante.
O amor grandioso que se entrega, que se doa, que magoa...
E finge a normalidade para podermos seguir em frente
como se nada tivesse acontecido.

Meu olhar adormecido chega até ao outro lado.
Compreende o que poderia ter sido,
se ao menos se prestasse a isso.

Mas, sobre meu olhar, se força a enxergar
as várias suposições das situações.

É porque, dentro do meu sonho,
encontro o cerne da paixão —
essa que frequenta loucamente a minha loucura
e se estende até às extremidades do meu corpo,
fazendo-me acreditar numa realidade idealizada.

Mais puro desejo mortal,
ao qual me deito cedo demais,
descontrolado demais...
E deixo o sabor da minha pele
se desencontrar do toque sensual
em minha própria pele.

É como se fosse o limite exposto dentro de mim.
Onde a essência ensina à carência
até onde ela pode ir,
e como fazê-la chegar lá.

Mas a consciência — determinante —
segura os desejos diante das nossas limitações.

Nem todos irão gostar da tua plenitude.
Nem todos acreditam em si mesmos
ao ponto de desnudar sua humanidade.
Prendem-se a máscaras,
a medos, egos e inseguranças —
fragmentando ainda mais o sentido dessa rejeição,
ao tentarem subsistir em algo inconstante.

Sem saber, ao menos,
que o que nos faz inteiros
é simplesmente a vulnerabilidade
de confiar na tênue linha
entre a nossa mente
e o sorriso inconsequente.

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