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O Compasso da Dor

E sem saber o porquê, me entreguei muito mais do que devia.
São nossos reflexos, almas invertidas que se espelham em pessoas que apenas observam demais e pouco fazem. Precisam de vida, sangue, de um despertar — onde as coisas não serão apenas as mínimas coisas.

Meu tempo é limitado. Eu, aqui, apenas tenho escolhas e decisões que serão o meu caminho daqui por diante!
O caminho batido de terra, que estreita os passos, é o caminhar errante da alma. Varrem de dentro da mente algum dia… dia onde o sol queimava por sobre a pele e guardava não apenas doces palavras, mas muito mais do que a ambiguidade.

Onde o levantar e erguer a cabeça sente-se muito mais do que poderia, mas por agora prefiro ficar só.
Escutar não só o silêncio dos meus dias constantes, mas criar coragem rompante para desfazer os paradigmas de uma outra história que hoje termina.

É infernal. Horrível decifrar, pois não há momento de calor, não há situação mirabolante. Mas existe o ressentimento, a revolta e, por vezes, as lágrimas que ficaram esquecidas na minha mente. Algumas choradas, outras nem queriam rolar, de tão entravadas no meu ser.

Até chorar virou uma arte.
Uma especialidade licorosa em minha pele.
É um fervor que apenas provocado com sabedoria consigo dar jus hoje.
A minha essência não é chorar, nem lamentar o que posso perder. Já perdi demasiado — e o seu sabor é apenas reciprocidade dentro de mim...

Tem vezes que ainda dói, mas algo vivido com frequência acaba por ser conhecido demais para se tornar especial.

E ainda aqui, poderia me bastar para mim mesma.
A minha cara tem muitas faces.
Meu semblante não é apenas branco, azul e vermelho.
Ele é bem mais do que meu coração fará lembrar — bem mais retocado do que a imaginação fértil que deixa passar em branco tanta obscenidade!

Somos eu e tu, numa dança que nunca mais acaba.
Pois tu me iludes e eu te beijo.
Tu me convidas a continuar a cegar-me, e eu aproveito os pontos doces da loucura.

Talvez sejas tu o meu medo.
Sejas aquilo por qual sempre meu peito apertou, de tanto receio.
E, no final de tudo, acabei por pagar com minha própria vivência.

Eras um sonho que, terrivelmente, se tornou realidade.
A minha fúnebre dança, que se angustia a cada compasso, pois relembra o compasso de algo muito mais denso — de uma alma gritante.

Não somos só nós, mas o mundo ainda dança...
E se protege de uma energia contagiante, onde o caos o permite retirar a eternidade festiva de com alguém poder estar.

E juntos, acabamos sós.
Ao lado um do outro, ritmos diferentes e bastante sólidos.
Que isso importa?

E cada um segue seu caminho: ferido, simbiótico — e sem saber o que haverá de construir, afinal. 

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